Asma: Sobre o tratamento

A asma é uma doença complexa, multifatorial e com manifestações distintas nas diferentes idades. Embora não exista cura para a asma, é possível controlar a frequência e intensidade dos sintomas.1-3 Para se chegar ao controle, o paciente precisa, antes de mais nada, ter todo acesso possível à informação sobre a doença para que possa compreendê-la e, dessa forma, lidar corretamente com seus sintomas.16

A primeira providência é identificar, eliminar ou evitar a exposição aos alérgenos e outros agentes responsáveis pelas crise.15

Tratamento

Se apenas essa mudança ambiental, de hábitos e estilo de vida não for o bastante, medicamentos podem ser necessários.

Existem 3 categorias principais de medicamentos para o tratamento da asma:1

São broncodilatadores, utilizados por qualquer paciente para alívio de sintomas agudos sempre que necessário, como por exemplo nas crises. Podem ser utilizados também para prevenção da crise induzida por exercícios.1

Pertencem a essa categoria:15

  • os beta2-agonistas, que podem ser de curta ação, com efeito de 4 a 6 horas, ou de longa ação, que agem por até 12 horas
  • os anticolinérgicos
  • as xantinas15

São utilizadas para reduzir a inflamação das vias aéreas, controlar os sintomas e reduzir riscos, tais como crises e declínio da função pulmonar. Pacientes com asma moderada podem utilizar baixas doses de medicamentos apenas quando necessário, se ocorrerem sintomas ou antes de se exercitar.1

Pertencem a essa categoria os corticoides, as cromonas e os modificadores dos leucotrienos.15

No tratamento de manutenção são usados preferencialmente os corticoides, que inibem o processo inflamatório responsável pelas crises, e estão disponíveis para administração por duas vias:15

a) via inalatória – é a que apresenta a melhor relação custo/benefício para o controle da asma persistente. Têm ação predominante nos brônquios e pouca ação no restante do organismo.

b) via oral – os mais usados são a prednisona e a prednisolona, especialmente nos casos de asma persistente grave, de difícil controle. Seu uso prolongado está associado a efeitos colaterais importantes, por isso devem ser usados apenas nos casos mais graves, em doses altas e por curtos intervalos de tempo.

No caso da asma persistente de intensidade leve ou moderada a terapia preferencial é a associação de beta2-agonistas de ação longa com corticosteroides inalatórios.15

O uso de espaçadores melhora o aproveitamento dos medicamentos, reduz os efeitos secundários locais dos corticoides inalatórios e facilita o uso dos inaladores pressurizados.20

Esses medicamentos devem ser considerados quando o paciente apresenta sintomas persistentes ou crises mesmo com a redução ou eliminação dos fatores de risco modificáveis e tendo alta adesão ao tratamento com altas doses de medicamentos de controle.1 São os chamados medicamentos imunobiológicos / anticorpos monoclonais.

Os medicamentos dessa categoria se aplicam ao tratamento dos pacientes com asma grave não controlada. Nesse sentido, a terapia com anti-IL4R, anti-IgE, anti-IL5 se mostram como alternativas promissoras para o tratamento desses pacientes.16

Pertencem a essa categoria:

  • anti-IL4 (dupilumabe)
  • inibidores da IgE (omalizumabe)
  • anti-IL5 (mepolizumabe, benralizumabe)
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