Por que a rinite piora no inverno?

Por que a rinite piora no inverno?

O ar frio, a poeira e outros poluentes que se intensificam no inverno são capazes de provocar muito incômodo. Entenda

Quem sofre com rinite alérgica sabe: é só um vento mais frio aparecer que o nariz já reclama, os espirros intensificam e a coriza parece não cessar, causando uma situação para lá de incômoda. De fato, a rinite alérgica pode piorar no inverno1 e, além do ar gelado, a poeira cheia de ácaros também é vilã2, já que no frio tendemos a ficar em ambientes mais fechados, em contato com essas substâncias.

Rinite e o inverno

O aumento da poluição do ar, também causada pela escassez de chuvas nos meses mais frios do ano, também costuma afetar o nariz de quem padece do problema3.

Para entender melhor, o ar frio incomoda o nariz temporariamente porque provoca a ativação de mastócitos e a estimulação dos nervos sensoriais que, majoritariamente, causam a coriza, a congestão nasal e a sensação de ardência no nariz4.

Veja abaixo outros fatores que se intensificam no inverno e provocam a rinite alérgica:

Poeira:

Os ácaros, que no tempo frio estão presentes em maior concentração no ar, podem ser um grande problema na vida de quem tem rinite alérgica2,5. Isso ocorre principalmente por causa dos ácaros que se juntam às partículas de poeira, sendo que as proteínas presentes nas suas fezes são alergênicas. A poeira doméstica também pode conter uma mistura enorme de substâncias, como escamas de pele humana, restos de pelos de animais, partículas de alimentos, além de fungos e bactérias6. E aí não há alérgico que aguente.

Para amenizar o transtorno, o ideal é manter a casa e o local de trabalho sempre limpos e arejados, mesmo que lá fora sopre um vento gélido. Afinal, quem gosta de sofrer com um nariz que parece ter vontade própria?

Casacos e cobertores:

Os abrigos de inverno também podem ser gatilhos de alergia. A quantidade de ácaros e fungos presentes nos casacos guardados por muito tempo pode ser enorme, bem como naquele cobertor usado pela última vez há um ano6. É por isso que eles são a combinação perfeita para que o combo de espirros, coriza e congestão nasal assolem durante todo o inverno.

O correto é evitar que o processo alérgico se inicie. Já de olho na previsão do tempo, se programe para uma limpeza geral nesses objetos gatilhos da alergia antes mesmo da chegada do frio, armazenando-os em sacos plásticos ao abrigo do pó.

Poluição do ar:

O aumento da poluição do ar, muito comum no inverno, é um problema a mais para os alérgicos. Além da estiagem típica dessa época do ano, há a intensificação de um fenômeno conhecido por inversão térmica, em que o ar quente sobe para a camada mais alta da atmosfera e o ar frio se mantém bloqueado na camada mais baixa, justamente aquela que usamos para respirar.

Esse fenômeno impede que a poluição dessa camada baixa se dissipe, fazendo com os poluentes se concentrem à altura dos nossos narizes e, quem tem rinite alérgica, responde com um bom espirro, que pode ainda vir seguido de coriza, coceira no nariz e congestão nasal7.

Para contornar o inconveniente, é preciso manter-se hidratado, já que beber bastante água ajuda a dissolver aquela secreção espessa que fica nas vias áreas. Além disso, lavar o nariz com soro fisiológico também é uma boa pedida. Outra medida importante para se proteger da inversão térmica é usar umidificadores de ar nos locais fechados, pois eles ajudam a controlar a umidade, minimizando o risco de a rinite atacar7.

No entanto, fique atento: um ambiente úmido demais também é prejudicial, já que os ácaros adoram se proliferar quando a umidade relativa do ar está acima de 70%8.

Referências

  1. HYRKÄS-PALMU, Henna et al. Cold weather increases respiratory symptoms and functional disability especially among patients with asthma and allergic rhinitis: scientific reports. Scientific Reports. 2018. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6031646/. Acesso em: 21 out. 2021.
  2. FASSIO, Filippo; GUAGNINI, Fabio. House dust mite-related respiratory allergies and probiotics: a narrative review. Clinical and Moleecular Allergy. 2018. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6006752/. Acesso em: 21 out. 2021.
  3. HWANG, Bing-Fang; JAAKKOLA, Jouni Jk; LEE, Yung-Ling et al. Relation between air pollution and allergic rhinitis in Taiwanese schoolchildren: respiratory research. Respiratory Research. 2006. Disponível em: https://respiratoryresearch.biomedcentral.com/articles/10.1186/1465-9921-7-23. Acesso em: 21 out. 2021.
  4. CRUZ, Alvaro A.; TOGIAS, Alkis. Upper airways reactions to cold air: current allergy and asthma reports. 2008. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18417052/. Acesso em: 21 out. 2021.
  5. NATIONAL HEALTH SERVICES – NHS (Scotland). Causes – Allergic rhinitis. 2019. Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/allergic-rhinitis/causes/. Acesso em: 21 out. 2021.
  6. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO-FACIAL (Brasil). Rinite alérgica: uma inimiga camuflada. 2003. Disponível em: https://www.aborlccf.org.br/secao_detalhes.asp?s=51&id=476. Acesso em: 21 out. 2021.
  7. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO-FACIAL (Brasil). Inversão térmica prejudica a saúde e aumenta problemas respiratórios. 2003. Disponível em: https://www.aborlccf.org.br/secao_detalhes.asp?s=51&aid=451. Acesso em: 21 out. 2021.
  8. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO- FACIAL (Brasil). Brazilian Journal of Otorhinolaryngology: III Consenso Brasileiro sobre Rinites. 2012. Disponível em: https://www.aborlccf.org.br/consensos/Consenso_sobre_Rinite-SP-2014-08.pdf. Acesso em: 21 out. 2021.

MAT-BR-2107421 – Novembro/2021